Viver solo – Uma perspectiva

O ápice mais recente da minha vida foi ter sido convidada a participar de um grupo online chamado “A Odisseia de Morar Sozinho”. A princípio eu achei bobeira, pensei que nada ali me interessaria ou que eu jamais teria algo relevante para compartilhar ali. Algumas semanas depois, estou aqui fazendo uma ode a isso.

A verdade é que quando a gente ainda não mora sozinho e idealiza como seria, a realidade é completamente distorcida. Eu achava que daria conta de todas as tarefas de casa todos os dias, aliado ao trabalho e ao estudo, sem pensar nenhuma vez em cansaço ou que eu ficaria de saco cheio. Lembro que eu também pensava que a casa ficaria pronta em um piscar de olhos, porque no Youtube e no Pinterest é assim, as pessoas piscam e de repente surge um apartamento todo mobiliado e funcional.

Pois bem, a recíproca não é verdadeira. Limpar a casa não é chato, mas também não é tão divertido quando você tem que fazer isso semana após semana, sozinha. Cozinhar então, nem me lembre. Gastei mais com comida pronta esse último mês do que jamais me imaginaria fazendo. E isso tudo tem um nome: adaptação.

Depois de 20 anos dividindo uma casa com outras quatro pessoas, só agora eu percebo que as minhas poucas tarefas não eram nada e as muitas reclamações da minha mãe fazem muito sentido, e eu deveria ter dado mais valor a isso. A exaustão de ter que resolver todos os pequenos e muitos problemas de um apartamento (antigo) recém alugado às vezes me faz pensar que o a preparação que eu achei que tinha estava longe de ser suficiente. E sim, às vezes me faz pensar em desistir de tudo e voltar para a casa dos meus pais, também.

Por mais que minha primeira reação seja pensar que as coisas só dão errado comigo e só eu não faço nada direito, eu sei que, se ajustar o caleidoscópio da vida para uma zoom macro, vou ser capaz de enxergar que todo mundo que toma essa mesma decisão vai ter esses sentimentos, podendo ser mais ou menos intensos ou passando mais ou menos rápido.

Pessoas mais próximas de mim que antes me consideravam extremamente otimista, talvez, se conversarem comigo agora (ou lerem estas palavras), pensem que eu me tornei o extremo oposto. Mas essa não é a verdade. A verdade é que é mais fácil e mais seguro pensar que vai dar tudo errado e se surpreender quando dá certo do que o contrário. Mas, como provavelmente você estava esperando um relato do lado bom e positivo de morar sozinho, posso citar alguns também.

  1. Eu como menos e menos saudável porque tenho preguiça de cozinhar;
  2. Eu quase não saio à noite, ao contrário dos que pensaram que a facilidade para sair e “fazer o que eu quiser” fossem as motivações principais, e durmo bem cedo;
  3. Ando de calcinha pela casa o dia inteiro, o que eu não me sentia confortável para fazer antes;
  4. Durmo a maior parte do tempo sem críticas quanto ao meu tempo perdido com o sono.

Se estes são de fato pontos positivos, fica a seu critério decidir. Caso o meu lugar aqui seja de conselheira, segue um provérbio: tu matarás baratas sozinha.